Sobre tantas (e tão poucas) coisas

Este post começou a ser escrito no dia 07 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, quando a Riachuelo divulgou o vídeo de comemoração a data. Um vídeo que, na minha opinião, como mulher, negra, consumidora, blogueira, estudante e profissional de comunicação achei ofensivo e preconceituoso. Demostrei minha indignação nas redes sociais e a resposta que recebi da empresa é que a mensagem fora mal interpretada.

Ora, modéstia parte, se eu que sou estudante do sétimo semestre de publicidade e propaganda, ou seja, estudo para compreender e produzir mensagens interpretei mal, como recebeu o restante da população nacional, que não tem acesso a estudo e formação de qualidade? Achei a resposta vaga, desinteressada e não pisei mais na loja. Se voltarei a comprar lá, só o tempo dirá.

Junto a este inconveniente, explodia no mundo o fenômeno Lupita Nyong’o. Atriz negra que conquistou o mundo pelo seu talento e sua beleza. Sim, sua beleza negra. Em um evento, o Essence Black Woman in Hollywood, Lupita, ao ganhar um prêmio, discursou sobre o processo de aceitação de sua beleza. Algo que serve para todas as mulheres: negras, brancas, asiáticas, indígenas, magras, acima do peso. Um discurso que fala sobre aceitar-se, descobrir-se e ser feliz.

As palavras dela me deixaram estremecida e completamente maravilhada. Sim, nós temos beleza. Como toda mulher. Toda mulher é bela.

Isso me fez parar pra pensar sobre preconceito. Sobre racismo. Sobre ser olhada de forma diferente em um shopping. Sobre ser tratada de forma diferente em uma loja. Me fez parar pra pensar em quantas vezes já me confundiram com uma vendedora, quando pensaram que eu não poderia pagar por um determinado produto ou simplesmente que eu não deveria frequentar determinados lugares. Isso me fez pensar na luta que enfrento todos os dias quando coloco os pés na rua. Tenho que lutar para provar que sou igual.

Hoje, vi a capa da revista TPM que diz justamente isso: SER NEGRO NO BRASIL É F***! Mas não é por isso que eu vou deixar de lutar, de fazer o meu caminho e bancar minhas escolhas.

Como diz o ditado: mar calmo nunca fez bom marinheiro. E se é pra provar que sou igual, eu quero mostrar que posso ser melhor!

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